Série AARS Depoimentos: Arquivos na pandemia – Décio Vidal

Iniciamos na segunda semana de julho a Série AARS Depoimentos: Arquivos na pandemia. Hoje publicamos o nono depoimento.

O associado Décio Schwelm Vidal relata o impacto da pandemia da Covid-19 no seu trabalho arquivístico.

Os depoimentos são publicados às quintas-feiras no site da AARS.

Décio Schwelm Vidal
Arquivista Prefeitura de Porto Alegre
Porto Alegre, Rio Grande do Sul
Associada n. 310 da AARS

1. Qual o seu local de trabalho como arquivista?
Trabalho na Secretaria Municipal de Planejamento e Gestão da Prefeitura Municipal de Porto Alegre.

2. Quais atividades desenvolvia antes da pandemia?
Desenvolvia atividades dentro da Equipe de Preservação e Seleção de Documentos, junto ao acervo de microfilmes originais com os processos administrativos da administração centralizada, higienização e realocação dos processos de plantas arquitetônicas das edificações da cidade sob guarda do Arquivo Municipal, além de outras atividades e procedimentos correlatos.

3. A pandemia mudou a sua rotina de trabalho? Se sim, conte-nos o que mudou.
Sim, naturalmente afetou. Por fazer parte do grupo de risco, tenho trabalhado somente de maneira remota.
As atividades que realizava junto ao acervo arquivado em suporte papel precisam ser presenciais e, portanto, foram interrompidas. Apenas as ligadas ao Sistema Eletrônico de Informação puderam ser mantidas de forma remota, dentro da possibilidade de trabalho em casa, gestão do tempo, acesso à internet e equipamentos disponíveis para a atividade remota.
Essa adaptação está sendo construida a cada dia, em tentativas, erros e acertos, uma vez que não houve um planejamento da transição do presencial para o remoto.

4. Depois que a pandemia passar, como será a volta ao trabalho? Que rotinas pretende retomar e quais manterá?
Na verdade, essa pergunta só poderá ser respondida, de fato, quando tudo, (entre aspas), “passar”. Seria um exercício de futurologia.

Na minha opinião, concordo com a ideia de um “novo normal”. Talvez as relações nunca mais sejam tão tranquilas, pelo risco de contaminação. Mesmo com a vacinação e a tendência de diminuição drástica da transmissão, o precedente do coronavírus acende um alerta de que nada impede que poderemos ter, nos próximos anos, mutações desse vírus ou novos vírus semelhantes podem aparecer e propagar-se mundo afora, provocando a necessidade de novas vacinas e hábitos de convivência. Grande parte dos acervos documentais estão em suporte papel e essa realidade ainda perdurará por muito tempo. O fato de que o vírus pode sobreviver por dias ou semanas sobre superfícies, inclusive documentos, impõe um incremento nos cuidados profissionais do dia a dia, como o uso de EPIs no trabalho e o manuseio dos documentos.

Estamos diante de um agente infeccioso letal, que não pode ser negligenciado em hipótese nenhuma. Trata-se de um novo e agora mais importante ítem a somar-se aos demais componentes da discussão sobre a insalubridade no trabalho dos profissionais.

Penso que as rotinas remotas poderão ser mantidas no “pós pandemia”, mesmo que em menor intensidade. As presenciais deverão ser analisadas caso a caso, dependendo de como ficarão as relações pessoais e de trabalho.

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