Série AARS Depoimentos: Arquivos na pandemia – Ívina Flores Melo

Iniciamos na segunda semana de julho a Série AARS Depoimentos: Arquivos na pandemia. Hoje publicamos o décimo quinto depoimento.

A associada Ívina Flores Melo relata o impacto da pandemia da Covid-19 no seu trabalho arquivístico.

Os depoimentos são publicados às quintas-feiras no site da AARS.

Ívina Flores Melo
Arquivista Ministério da Saúde
Porto Alegre, RS
Associada n. 544 da AARS

Meu nome é Ívina Flores, sou Arquivista ocupando o cargo de Tecnologista em Ciência e Tecnologia no Ministério da Saúde(MS). Quatro meses antes da pandemia, o MS firmou um Termo de Execução Descentralizada (TED) com a Universidade de Brasília (UnB). O TED quer dizer que a UnB prestaria serviços para o MS, na área de gestão de documentos, de maneira que se pudesse qualificar as ações e projetos da área. O primeiro produto, deste trabalho, seria o tratamento de aproximadamente 50 mil caixas de massa documental acumulada (MDA). Eis que a pandemia se instalou e tivemos que mudar os cronogramas e focar em ações estruturantes do Arquivo, ou seja, ações que qualificassem os eixos de trabalho relativos a normalização e regulamentação. Focamos, também, na revisão de nossos instrumentos de gestão e na capacitação interna e externa. O tratamento da MDA foi reprogramado de maneira que garantíssemos a segurança sanitária dos bolsistas do projeto. Bem, como resultado desse ponto fora da curva, percebemos que embora a situação grave de calamidade pública, tivemos a chance de respirar e olhar de maneira mais calma e acurada para nossos processos de trabalho. Nesse momento do “novo normal”, conseguimos elaborar, juntamente com a UnB, uma proposta de revisão do Código de Classificação da área-fim, um novo manual de gestão de documentos e uma minuta da Política de Preservação Digital. Além deste normativos, conseguimos lançar o curso na modalidade EaD denominado “Classificação de Documentos” e em breve teremos uma capacitação em gestão de documentos para todos os gestores de arquivos setoriais do Ministério, nos aproveitando da possibilidade institucionalizada de videoconferências. Enfim, colegas, aproveitamos um momento triste e tenso para sermos melhores enquanto pessoas e enquanto profissionais. Aproveitamos a oportunidade para qualificarmos nossos processos. Já voltamos ao trabalho presencial e agora, posso dizer que damos muito mais valor aos momentos em “suporte convencional”. Retomamos os cronogramas de processamento técnico do acervo, com a diferença de que hoje temos uma visão mais madura de nossos instrumentos de gestão. As reflexões de pandemia noz fizeram crescer. Fizemos do limão uma limonada!

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