Série AARS Depoimentos: Arquivos na pandemia – Joana Peregrina Hernandes

Iniciamos na segunda semana de julho a Série AARS Depoimentos: Arquivos na pandemia. Hoje publicamos o décimo quarto depoimento.

A associada Joana Peregrina Hernandes relata o impacto da pandemia da Covid-19 no seu trabalho arquivístico.

Os depoimentos são publicados às quintas-feiras no site da AARS.

Joana Peregrina Hernendes
Arquivista DNIT
Porto Alegre, RS
Associada n. 265 da AARS

1. Qual o seu local de trabalho como arquivista?
Arquivo Central

2. Quais atividades desenvolvia antes da pandemia?
Atendimento ao publico, pesquisa, tramitação de processos, recebimento de processos, gestão do setor

3. A pandemia mudou a sua rotina de trabalho? Se sim, conte-nos o que mudou.
As atividades que desenvolvo no arquivo do DNIT são mais voltadas a pesquisa e também estamos iniciando o processo de aplicação da tabela de temporalidade. São atividades essencialmente presenciais, é lidar diariamente com o usuário e também manusear a documentação para fazer a avaliação documental.
Fui pega de surpresa com esse novo momento, em que não poderia mais atuar presencialmente no arquivo. A proposta foi adaptar as atividades com o home office, investir no desenvolvimento de projetos para o arquivo e principalmente verificar as necessidades do cliente, pois como sou terceirizada é importante ouvir o que o cliente precisa e apresentar propostas de melhorias no setor.
O DNIT, como muitos departamentos publicos, produziu altos volumes de massa documental e o foco da gerencia administrativa é aplicar a tabela de temporalidade para o descarte de documentos. O processo de descarte de documentos publicos é muito minucioso, então utilizei este tempo de home office para especificação do projeto, pesquisa sobre a legislação arquivistica.
Além do desenvolvimento desse projeto, as pesquisas em documentos continuaram, mas as solicitações foram feitas atraves de outras ferramentas como o whatsapp e e-mail. O acesso remoto a sitemas foi utilizado e a disponibilização da informação se deu atraves destas ferramentas.
Apesar de todas essas ferramentas algumas vezes houve a necessidade de atendimento presencial. As atividades desenvolvidas em arquivo fisico por mais que tentamos adaptar ainda foi necessário o meu deslocamento até o arquivo para pesquisa e disponibilização de documentos para a utilização de servidores.
Enquanto o arquivo tiver documentos fisicos a presença física do profissional ainda será necessária, então a ida até o arquivo foi de acordo com a demanda dos usuários.

4. Depois que a pandemia passar, como será a volta ao trabalho? Que rotinas pretende retomar e quais manterá?
Muitas rotinas no DNIT foram informatizadas, inclusive algumas do arquivo, os processos novos são 100% eletrônicos. No entanto, existe parte do acervo que ainda é físico e sua digitalização está sendo feita de acordo com as demandas, por isso ainda existe a rotina de tramitação de processos e atendimento aos usuários internos. O arquivo também é composto por acervo de engenharia, com mapoteca e projetos que não foram digitalizados, esta atividade gera pesquisa de público interno e externo e, por isso, essa atividade permanecerá mesmo depois da pandemia. Acredito que a retomada das atividades será gradual, mesmo neste momento de pandemia o serviço não parou, mas com menos fluxo.

Você pode gostar...