Série AARS Depoimentos: Arquivos na pandemia – Jonas F. Melo

Iniciamos na segunda semana de julho a Série AARS Depoimentos: Arquivos na pandemia. Hoje publicamos o sexto depoimento.

O associado Jonas Ferrigolo Melo relata o impacto da pandemia da Covid-19 no seu trabalho arquivístico.

Os depoimentos são publicados às quintas-feiras no site da AARS.

Jonas Ferrigolo Melo
Arquivista no Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul
Porto Alegre, Rio Grande do Sul
Associado n. 459 da AARS

1. Qual o seu local de trabalho como arquivista?
Sou arquivista do Governo do Estado do Rio Grande do Sul desde o final de 2010. Em 2015, fui cedido ao Arquivo Público do Estado, onde exerço minhas funções desde então.

2. Quais atividades desenvolvia antes da pandemia?
Atualmente, atuo em duas diferentes funções no APERS: 1) Núcleo de Normas Técnicas, o qual tem a competência de elaborar normas arquivísticas referentes à gestão documental para o Estado, tais como Plano de Classificação e Tabela de Temporalidade, instrumentos aplicáveis aos diferentes suportes dos documentos, sejam analógicos ou digitais; definir padrões de tipologias documentais e elaborar manuais técnicos, instruções normativas e procedimentos relacionados à área.
2) Núcleo de Tratamento Técnico de Acervos, o qual é responsável por recolher e executar o gerenciamento de acervos, de acordo com as normas do SIARQ-RS. Sou responsável pelo gerenciamento do acervo documental da Fundação para o Desenvolvimento de Recursos Humanos do RS (FDRH), extinta em 2018, com o auxílio fundamental de 10 estagiários (da arquivologia e da história). Fazemos classificação, avaliação e os trâmites de destinação final; realizamos pesquisas para subsidiar as definições de arranjo e descrição do acervo; e fazemos o acondicionamento dos documentos. Na sequência, ainda teremos que descrever e indexar os documentos permanentes e produzir os instrumentos de pesquisa.

Para além destas funções fixas, desenvolvo trabalhos junto ao Comitê Gestor do Processo Administrativo Eletrônico – PROA; ao Comitê Gestor do Sistema de Arquivos do Estado do Rio Grande do Sul – SIARQ/RS; e auxilio na prestação de assessoria técnica em gestão documental para órgãos do Governo do RS.

3. A pandemia mudou a sua rotina de trabalho? Se sim, conte-nos o que mudou.
Mudou muito. De um dia para o outro tivemos que nos adaptar em casa para a execução de nossas atividades. Com as atividades remotas, o trabalho com o acervo da FDRH foi completamente interrompido. Demos andamento apenas a publicação de algumas listagens de eliminação de documentos, via processo administrativo eletrônico. As atividades do Núcleo de Normas Técnicas foram continuadas a partir do teletrabalho: fizemos a Ordem de Serviço do Governador que define um corte cronológico no Governo do RS para a preservação da totalidade da documentação produzida durante o período de pandemia (em trâmites para a publicação); seguimos nos trabalhos do Manual de Redação Oficial do Estado que, além da parte gramatical, atenderá aspectos da padronização de documentos com base na Diplomática e Tipologia Documental, e apresentará modelos padrão de espécies documentais para o Poder Executivo Estadual. Além disso, fiz parte da Comissão Organizadora da primeira edição do “Café da tarde com o APERS”, evento online que versou sobre Humanidades Digitais e Arquivos; e fui avaliador de trabalhos da Mostra de Pesquisa do APERS. Outras atividades de cunho administrativo também foram continuadas, como o acompanhamento dos contratos dos estagiários e reuniões online de Setor.

4. Depois que a pandemia passar, como será a volta ao trabalho? Que rotinas pretende retomar e quais manterá?
Todas as rotinas serão retomadas. Obviamente que ainda estaremos sob reflexo de um período turbulento. Precisaremos adaptar muitos fluxos de trabalho, espaço entre as equipes, procedimentos de higienização e acompanhamento da saúde dos membros da equipe. Os primeiros momentos serão de muito aprendizado e de adaptações. Pretendo retomar as atividades de organização do acervo da FDRH para que os documentos possam ser disponibilizados para pesquisa o quanto antes; precisamos retomar as reuniões sobre a revisão do Plano de Classificação e da Tabela de Temporalidade; e seguir com os encaminhamentos para novas e prováveis normativas referentes à gestão documental no Governo do RS. Não vejo a hora de reencontrar os colegas e toda equipe. Ver que estão todos bem e conversar sobre tudo o que aconteceu nesses longos meses de teletrabalho.

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