Série AARS Depoimentos: Arquivos na pandemia – Juliano Silva Balbon

Iniciamos na segunda semana de julho a Série AARS Depoimentos: Arquivos na pandemia. Hoje publicamos o vigésimo segundo depoimento.

O associado Juliano Silva Balbon relata o impacto da pandemia da Covid-19 no seu trabalho arquivístico.

Os depoimentos são publicados às quintas-feiras no site da AARS.

Juliano Silva Balbon
Arquivista APERS
Porto Alegre, RS.
Associado n. 373 da AARS

1. Qual o seu local de trabalho como arquivista?
Trabalho no Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul desde 2018 e estou como chefe da Divisão de Gestão Documental, responsável pelo Sistema de Arquivos do Estado, assessoramento dos órgãos da administração direta e indireta, como também onde são construídas as normativas e orientações relacionados aos procedimentos de arquivo.

2. Quais atividades desenvolvia antes da pandemia?
Antes da pandemia eu estava lotado na Divisão de Preservação, Acesso e Difusão do Arquivo Público, que é responsável pelo Laboratório de Conservação e Restauros do APERS, e que estava em vias de produção e iniciando algumas atividades relacionadas à preservação do nosso acervo custodiado. Também é responsável pelo atendimento dos usuários externos do Arquivo em suas mais variadas pesquisas acadêmicas e genealógicas, pela comunicação, da difusão, por meio de eventos, exposições, oficinas e gestão das redes sociais.

3. A pandemia mudou a sua rotina de trabalho? Se sim, conte-nos o que mudou.
Durante a pandemia, por conta dos decretos publicados pelo governo do Estado, a maioria dos serviços não-essenciais acabaram sendo suspensos. Com o APERS não foi diferente. No final de março de 2020 fomos comunicados sobre as estratégias do Governo em conter a propagação do vírus, e definimos que os servidores deveriam ficar em teletrabalho, mas ainda desempenhando as atividades normalmente. Com certeza alguns serviços foram prejudicados como as oficinas, o atendimento da Sala de Pesquisa, as visitas guiadas, principalmente aquelas que são presenciais ou que acabam gerando aglomeração de pessoas. Organizamos internamente algumas atividades que poderiam ser desempenhadas de casa pela maioria dos servidores, e outros começaram a trabalham em revezamento, que foi o meu caso, juntamente com as outras chefias do APERS. Com o passar do tempo, algumas reorganizações foram feitas, apresentamos ideias, e várias iniciativas e projetos surgiram “da pandemia”. Fizemos eventos on-line, que foi uma experiência nova para todos, construímos duas normativas com a chancela do governador para a preservação dos documentos produzidos durante a pandemia, e também lançamos o projeto do Documentando a experiência da COVID-19 no RS, com o principal objetivo de registrar este momento que estamos vivendo através dos relatos da sociedade civil e de entrevistas com os agentes públicos que estão à frente do combate à pandemia.

4. Depois que a pandemia passar, como será a volta ao trabalho? Que rotinas pretende retomar e quais manterá?
Na verdade, não há retorno ao trabalho pois o trabalho nunca parou. Todos os servidores do APERS, mesmo que de casa continuaram trabalhando e produzindo muito. O que ficou prejudicado realmente foi o atendimento presencial. Durante um período até tentamos atender os pesquisadores fazendo a digitalização dos documentos solicitados, porém nosso acervo é muito antigo e carece de muito cuidado neste processo de digitalização. Logo que identificamos que poderíamos estar pecando na preservação e conservação dos documentos, suspendemos. No APERS, por mais que seja uma instituição pública e um dos objetivos é o atendimento ao cidadão, temos que pensar primeiramente nos documentos históricos. No mais, temos muitos projetos estratégicos e importantes para o Estado que conseguimos durante essa pandemia, isso reforça a responsabilidade do Arquivo frente às adversidades, enquanto órgão gestor do SIARQ e quanto à preservação da memória do RS.

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