Série AARS Depoimentos: Arquivos na pandemia – Raone Somavilla

Iniciamos na segunda semana de julho/2020 a Série AARS Depoimentos: Arquivos na pandemia. Hoje publicamos o quadragésimo segundo depoimento.

O associado Raone Somavilla relata o impacto da pandemia da Covid-19 no seu trabalho arquivístico.

Os depoimentos são publicados às quintas-feiras no site da AARS.

Raone Somavilla
Arquivista UFSM
Santa Maria, RS.
Associado n. 253 da AARS

Sou arquivista do Departamento de Arquivologia da Universidade Federal de Santa Maria. Formado em 2005, atuando na UFSM desde 2006, ou seja, há 15 anos, onde desenvolvi minhas atividades profissionais, inicialmente no HUSM, e, em seguida, no Curso de Arquivologia e Departamento de Arquivologia.
Minhas atividades profissionais, atualmente, consistem em gerenciar, juntamente com os professores que os coordenam, dois laboratórios didáticos do Departamento de Arquivologia, que servem, essencialmente, ao Curso de Arquivologia, além disso, atuo como membro em algumas comissões dentro da instituição.
O primeiro deles é o Laboratório de Arranjo, Descrição e Memória, que contém os Arquivos históricos da Faculdade de Arquivologia, Curso de Arquivologia e Departamento de Arquivologia. Cabe destacar a custódia de importante coleção fotográfica e acervo completo de trabalhos finais dos alunos formados na UFSM (relatórios de estágio e Trabalhos de Conclusão de Curso).
O Laboratório de Arranjo, Descrição e Memória atua em duas principais frentes: a primeira delas como laboratório de ensino propriamente dito, onde os alunos exercem atividades práticas referentes ao tratamento de acervos históricos; a segunda, como arquivo, com todas suas funções e com a finalidade principal de dar acesso, especialmente aos alunos e professores que costumam buscar dados sobre produções acadêmicas do curso.
O segundo laboratório é o Laboratório de Restauração de documentos, que também atua em duas principais frentes: como laboratório de ensino para as disciplinas que envolvem os temas preservação, conservação, restauração e encadernação; e como oficina para o desenvolvimento de projetos de ensino, pesquisa e extensão, através dos quais, tem se estabelecido um importante vínculo com a comunidade externa à universidade.
Nos últimos meses, o contexto de pandemia tem impactado profundamente e transformado meu trabalho. Evidentemente que, com a interrupção das atividades presenciais na UFSM, a maior parte das funções dos laboratórios foi suspensa, já que são focadas em práticas específicas. Da mesma forma, não está sendo possível o desenvolvimento de projetos dentro destes espaços.
Outra face da minha atuação profissional consiste na participação em órgãos colegiados: no Conselho do Centro de Ciências Sociais e Humanas, na Comissão de Extensão do CCSH e no Conselho Editorial da Editora da UFSM. Estas funçõe tem se mantido e até mesmo se intensificado, já que a metodologia de trabalho permite trabalho remoto através de grupos de discussão e webconferências.
Se por um lado o isolamento decretado pela pandemia impôs limitações bastante significativas, por outro lado suscitou a criação de novas metodologias de trabalho. Assim, penso que, quando a situação da pandemia estiver sob controle, muitas coisas voltarão (e deverão voltar) a ser feitas como eram antes, especialmente atividades práticas voltadas ao ensino e à extensão, como na restauração de documentos e no arranjo de acervos históricos. Já outras atividades como debates, reuniões e eventos acadêmicos, penso que poderão e deverão passar a ocorrer de forma bastante diversa, remotas ou mesmo de forma híbrida.
Sejam quais forem as transformações pelas quais a sociedade passe, o bom profissional deve estar preparado para debater e ajustar seus métodos de trabalho. Principalmente nós, arquivistas, já que nosso objeto de estudo (e trabalho) reflete essencialmente o funcionamento de instituições e a forma de atuação de pessoas, refletindo, portanto, o funcionamento da sociedade.

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