Série AARS Depoimentos: Arquivos na pandemia – Sandra M. da Silva

“Você está disputando a mesa de jantar com a sua família para conduzir uma videoconferência no lugar mais iluminado da casa? Precisa interromper uma ligação para fazer seu cachorro parar de latir? Ou tem que ficar mudando de papel de hora em hora para ser professor de educação infantil, profissional e cozinheiro? Então, assim como milhares de brasileiros, você está vivendo os desafios de trabalhar em casa durante a quarentena.”

Foi com estas perguntas que o periódico Você SA iniciou a reportagem sobre uma pesquisa feita pelo Centro de Inovação da FGV EAESP sobre a percepção das pessoas quanto ao home office durante a crise do coronavírus. O resultado mostrou que 56% dos profissionais têm muita dificuldade ou dificuldade moderada para equilibrar atividades do trabalho com questões pessoais.

Durante a pandemia do novo coronavírus o trabalho remoto virou uma realidade, porque o isolamento social é a medida adotada para evitar o contágio pela Covid-19. Essa situação completamente nova muda a forma de trabalhar, pois isso envolve alteração de rotina, da administração do tempo, das atividades e do relacionamento com as pessoas.

Baseando-se nesta premissa a Associação dos Arquivistas do Estado do Rio Grande do Sul lança a partir de julho uma série de depoimentos de associados à AARS relatando e analisando o impacto da pandemia da Covid-19 no seu trabalho arquivístico.

Os depoimentos da série serão publicados às quintas-feiras no site da AARS. Hoje publicamos o depoimento da Sandra Messa da Silva.

 

Sandra Messa da Silva
Arquivista na Reitoria do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC)
Florianópolis, Santa Catarina
Associada n. 210 da AARS

1. Quais atividades desenvolvia antes da pandemia?
Tendo em vista a realidade dos arquivos do IFSC, desempenho atividades intelectuais, efetuando pesquisas e levantamentos, prestando orientações técnicas e produzindo documentos relacionados à minha área, entre eles, correspondências, textos, relatórios, regulamento, política arquivística, programa de gestão de documentos e projetos.

2. A pandemia mudou a sua rotina de trabalho? Se sim, conte-nos o que mudou.
Sim, a pandemia mudou, de certa forma, a minha rotina de trabalho. No entanto, não impediu a execução de minhas atividades. Em virtude do trabalho remoto, houve questionamentos acerca da assinatura digital, trazendo à tona a necessidade da implementação de sistemas confiáveis para produção, gestão, preservação e acesso de documentos nato digitais. Nesse sentido, observei que, de modo geral, a pandemia está acelerando esse processo de transformação digital.

3. Depois que a pandemia passar, como será a volta ao trabalho? Que rotinas pretende retomar e quais manterá?
Após a pandemia, certamente, nada será como antes. Apesar do quadro apresentado, observei que os profissionais da área arquivística se preocuparam, se movimentaram, se reuniram e discutiram diversos temas importantíssimos por meio de lives, palestras e bate-papos pela Internet, durante a Semana dos Arquivos. Posteriormente, os encontros continuaram e espero que continuem ocorrendo, visto que esses eventos vêm suscitando muita reflexão acerca da profissão de arquivista e da atuação desse profissional. Em que pese a Lei dos Arquivos ter sido promulgada no ano de 1991, foi a Lei de Acesso à Informação, publicada em 2011, que desencadeou nas instituições a preocupação em fazer gestão de documentos, para garantir o cumprimento dessa normativa. Agora, o trabalho remoto e a vigência da LGPD vieram a reforçar a necessidade da implementação de sistemas confiáveis para a produção, gestão, preservação e acesso aos documentos nato digitais nas instituições. Portanto, o meu retorno ao trabalho, certamente, estará voltado a este grande desafio que é a transformação digital, tomando como base a política arquivística em consonância com as demais políticas institucionais, considerando os princípios arquivísticos, assim como as diretrizes, normas, recomendações e orientações emanadas pelo Arquivo Nacional e pelo CONARQ, bem como a Lei dos Arquivos, respeitando, o princípio da legalidade para que a gestão arquivística de documentos seja implementada nos termos da lei.

 

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